Artigo, Rossano Gonçalves - Uma chance para o Rio Grande

- O autor é prefeito de São Gabriel, RS, e é do PDT.

Os mais jovens certamente não se lembram, e alguns dos mais antigos fingem não lembrar. No ano de 2002, o Rio Grande do Sul vivia uma eleição de vida ou morte, para definir a sucessão do desastroso governo petista da época, que endividou o Estado, mandou a Ford embora, perseguia judicialmente jornalistas, mantinha relações pérfidas com a contravenção e usava sua poderosa máquina de moer reputações para destruir adversários e aliados.  Ciente do mal que o governo petista fazia às finanças e ao futuro do Estado, Brizola surpreendeu a muitos quando conduziu o PDT a apoiar a candidatura de Antonio Britto, então no PPS, o homem que havia privatizado a CRT, criada justamente por Brizola quando governador.  Como o estadista que era, Brizola fez a leitura do tempo histórico e compreendeu que o que estava em jogo era a permanência de um projeto de poder perdulário, autocrático e ruinoso para o Rio Grande.

Mais de quinze anos depois, o Rio Grande vive um novo ciclo de preocupação. Depois do governo Tarso Genro solapar as finanças gaúchas, oferecendo generosas isenções fiscais que seu partido hoje finge combater e ter transformado o Badesul num clube de amigos, o Estado não tem recursos para investimentos, atrasa salários, descumpre repasses com hospitais, e por isso o governo apresentou um plano de Recuperação Fiscal que, sim, possui medidas amargas e que nenhum governante gostaria de aplicar. 

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