Memorando da CIA sobre o regime militar é falso ?

As redes sociais colocam em dúvida, desde esta tardinha, o memorando secreto da CIA que diz que o general Ernesto Geisel, presidente do Brasil entre 1974 e 1979, sabia e autorizou execução de opositores durante o regime militar. O documento, de 11 de abril de 1974, teria sido elaborado pelo então diretor da CIA, William Egan Colby, e endereçado ao secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger. Este material foi tornado público na semana passada pelo pesquisador Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas (FGV), também jornalista da Folha de S. Paulo.

A Folha de S. Paulo foi a primeira a divulgar o memorando. A mídia toda repercutiu e ninguém foi conferir.

O advogado Marcelo Aiquel, colunista deste blog, foi o primeiro a denunciar o memo como uma fraude, cujo objetivo seria desestabilizar o Exército e criar dificuldade para o candidato Jair Bolsonaro (CLIQUE AQUI para ler o artigo). 

Eis a incongruência:

1) O documento da CIA teria sido elaborado no dia 11 de abril de 1974 e refere-se ao "Centro de Inteligência do Exército (Army Intelligence Center - CIE). O presidente era Geisel.
2) Acontece que o "Centro de Inteligência do Exército" só foi criado no dia 23 de dezembro de 1992, substituindo o "Centro de Informação do Exército". O decreto, assinado pelo presidente Itamar Franco, já na redemocratização, foi publicado no dia 24 de dezembro de 1982, seção I, página 18023.

O memo, portanto, não poderia falar num CIE que na época nem tinha sido criado.

CLIQUE AQUI para examinar o documento "original" divulgado por Spektor.